Última semana para conferir exposição do fotógrafo Luiz Carlos Felizardo em Porto Alegre

A exposição “A estranha xícara”, que reúne obras do fotógrafo Luiz Carlos Felizardo, ficará em cartaz até este sábado, 23 de março, no Instituto Ling, em Porto Alegre. A mostra traz 18 fotografias e montagens digitais, realizadas entre os anos de 2011 e 2017, que representam uma transformação na carreira do artista, que passou a explorar tecnologias digitais para compor imagens com novas técnicas e possibilidades criativas.

Felizardo começou a trabalhar nas montagens de “A Estranha Xícara” em 2011, em razão de uma ataxia (perda do controle muscular) que lhe impôs dificuldades motoras. Por causa da doença, o laboratório fotográfico tradicional, o ambiente em que vivera por 40 anos, precisou ser deixado para trás. O artista buscou, a partir de então, explorar novos suportes e técnicas para seu trabalho.

Além das fotografias e montagens, a mostra reúne 35 objetos pessoais do artista, como brinquedos e peças familiares. Para ele, a exposição é uma espécie de homenagem a esses itens. “Esses objetos conviveram comigo por muitos anos – alguns pela vida inteira, alguns bem mais velhos do que eu mesmo. De alguma forma, todos eles estiveram e estão presentes em tudo o que fiz e faço. Fotografá-los foi a maneira que encontrei de prestar-lhes uma homenagem, dando-lhes o uso que não têm quando estão limitados a espiar-nos”, escreveu o fotógrafo.

O título da mostra refere-se ao poema Cerâmica (1962), de Carlos Drummond de Andrade: “Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara. Sem uso, ela nos espia do aparador“. Para o artista, o conjunto de imagens que resultou na exposição contém essa ideia.

Já para a curadora Mônica Zielinsky, Felizardo revela aptidão para retrabalhar as próprias imagens e fazer uma instigante reconfiguração dos sentidos dos objetos ou lugares do passado, realizando uma generosa transformação que aponta novas realidades, composições e reconstruções. “O artista traz à luz diversas sutilezas de sua inegável memória afetiva de todos os tempos e, simultaneamente, ressonâncias que tangenciam um sutil veio de reverberação cultural. Entre os ágeis fluxos do passado ao presente ou do presente ao passado, esses trabalhos se fundamentam em distintos regimes de historicidade ao permitirem, também, pensar o futuro”, afirma no texto da exposição.

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