Projeto de apartamento em Aracaju (SE) propõe a ocupação de 230 metros quadrados com a serenidade de uma galeria de arte. Assinada por Marcela Penteado Arquitetos, em parceria com Kika Mattos e André Dutra, a proposta reorganiza a planta original para reunir arquitetura, mobiliário e curadoria de obras em uma mesma narrativa, marcada por tonalidades de branco, madeira pontual e peças de grandes nomes do design escolhidas com a precisão de quem entende que o silêncio também compõe o espaço.

A primeira e mais determinante decisão do projeto ocorreu na área social: a varanda foi incorporada à sala, ampliando o espaço de convivência e oferecendo à vista uma generosidade que a planta original não permitia. Também a configuração das três suítes passou por revisão para acompanhar uma lógica de morar contemporânea (veja mais abaixo).

Veja a generosa abertura da varanda incorporada para a paisagem ao fundo

Os estofados merecem um olhar atento pela beleza e funcionalidade

As paredes completamente brancas funcionam como pano de fundo para as obras de arte e a curadoria de mobiliário, em uma composição inspirada na lógica espacial das grandes galerias. Assim, o rodapé invertido desaparece no desenho da arquitetura, ampliando a sensação de continuidade entre os ambientes, enquanto a madeira surge de forma pontual, sempre como gesto de aconchego, nunca como interrupção da atmosfera minimalista.






Curadoria de design brasileiro e italiano com a arte
A seleção de peças combina referências brasileiras e italianas em uma composição marcada por diferentes texturas, pesos e materialidades. Compõem o projeto de interiores o sofá Camaleonda, de Mario Bellini para a B&B Italia; a poltrona Senior e a mesa Guanabara, ambas desenhadas por Jorge Zalszupin para a Etel; além de uma chaise da Dpot. O conjunto traduz a mesma busca por proporção e equilíbrio que orienta a arquitetura de interiores do apartamento.

Igualmente importante, a iluminação participa, com discrição, da construção da atmosfera. Sobre a mesa de jantar, a luminária Meshmatics Chandelier, assinada por Rick Tegelaar, suspensa no espaço, acrescenta delicadeza à composição. Entre as obras de arte, que introduzem ritmo e pontos de cor à paleta predominantemente neutra, está a litogravura “Semana”, de Carlos Cruz-Diez, representado pela Galeria Carbono.
Área íntima com atmosfera aconchegante
A configuração das três suítes também foi revista para acompanhar uma lógica de morar contemporânea: uma delas deu lugar a um closet integrado à área íntima, outra foi convertida em home office e o banheiro máster ganhou metragem extra, reforçando a atmosfera acolhedora que caracteriza todos os ambientes.





Banheiro da suíte master teve área ampliada


Bancada em dose dupla com solução criativa





Home office tem tom de madeira no mobiliário sob medida



Com uma linguagem contida e precisa, o projeto investe menos no excesso de elementos e mais na construção de atmosferas. Proporção, luz natural, materialidade e curadoria são as quatro chaves que sustentam a totalidade do apartamento marcado pela continuidade visual e pela relação cuidadosa entre os objetos e o espaço, um morar que se aproxima, sem alarde, do tempo desacelerado das galerias.