Se essa escada fosse minha, se essa escada fosse nossa

O que eu não vejo, não existe. Certo? Errado. Porto Alegre tem espaços abandonados, como a Escadaria do Amor, de 1898, que está sendo olhada por pessoas e que precisam de todos nós. Nesta sexta, dia 14, um grupo de voluntários vai limpar, pintar, revitalizar e ocupar a área de mais de 100 degraus que liga a Rua João Manoel (antiga Rua Clara) com a Rua Fernando Machado (antiga Rua do Arvoredo), no Centro da Capital. A ação ‘Se essa escada fosse minha’ é uma iniciativa do movimento Setembro Verde – Vamos comer melhor?, em uma parceria da plataforma Roubadinhas com os coletivos Organicidade, Galpão do Plátano, Organifica, Feitosa Gourmet, Ecohistórias, entre outros.


Totalmente abandonada há 10 anos, a Escadaria do Amor fica no ponto mais alto do Morro da Formiga, chamado assim porque o porto da cidade era localizado na orla da Rua Duque de Caxias. Dali em direção a Viamão, o trajeto era feito por mulas que subiam uma atrás da outra, num vai e vem similar ao de um formigueiro. Os três lances de escada tombados pelo patrimônio histórico foram construídos pela empresa do arquiteto Theo Wiederspahn, tendo sido uma das primeiras obras de Parcerias Público Privadas de Porto Alegre. Na base da escadaria há um anfiteatro, esquecido pela cidade, que serve de abrigo para moradores de rua.

Conforme o empreendedor João Wallig, proprietário de um dos terrenos vizinhos à escadaria, há dois anos os moradores da região plantaram uma horta coletiva nos arredores para ajudar na revitalização do espaço. Ele comenta ainda que a horta acaba de ganhar um edital para que aconteça de fato. E que, vizinhos de um edifício local chamaram grafiteiros para decorar parte do prédio e investir em paisagismo – várias ações coletivas pela melhoria da paisagem local.


“Este é um problema social de toda a cidade. Há pouco apoio para que se tenha um protocolo de atendimento para as pessoas que moram na rua. Então a própria comunidade acaba ficando refém de ter que ajudar essas pessoas que por ali moram. Ações minimizam o estrago, como assumir os moradores de rua, dar comida. Ali, nas sextas, eles fazem a limpeza da escadaria e recebem algum dinheiro”, relata Wallig.

Na sexta, 14, a programação se inicia às 15h com mutirão de limpeza, plantio de mudas doadas pela floricultura Winge e pintura da Escadaria do Amor com doações feitas pelas Tintas Kresil. Após, na parte superior da escadaria (Rua João Manoel), onde está localizada a feira orgânica do Galpão do Plátano, o chef de cozinha Fabrício Goulart, empreendedor na startup Feitosa Gourmet, finalizará o evento com um prato produzido com a xepa – folhas, talos e materiais que sobram da feira.


Vale frisar que o movimento Organicidade – cidade mais orgânica é uma criação conjunta para ocupar este espaço no Centro. No lugar, além da feira orgânica, em breve deverá ser instalada uma escola de gastronomia. Segundo Wallig, Porto Alegre é uma das cidades contempladas pelo Instituto Rockfeller no programa municipal Cidade Resiliente, que tem como objetivo tornar a cidade mais orgânica.

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