Spider de Louise Bourgeois se despede da Fundação Iberê Camargo

Escultura na Fundação Iberê Camargo (Fotos Divulgação)
Obra Spider, de Louise Bourgeois em exposição na Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre (fotos Divulgação)

Última chance de ver a obra Spider em Porto Alegre, na Fundação Iberê Camargo, é o período que vai desta quarta, dia 24 de julho, até domingo, 28 de julho. Esta Spider é a primeira das seis que Louise Bourgeois produziu em bronze a partir de meados da década de 1990 e que estão espalhadas pelo mundo. A escultura está exibida na FIC com a gravura Spider and Snake – a 15ª das 50 realizadas por Louise em 2003, com uma dimensão de 48,2 x 44,1 cm e pertencente à Coleção Itaú Cultural.

Spider pela lente de NIlton Santolin, divulgação
Spider pela lente do fotógrafo Nilton Santolin

Depois de permanecer pouco mais de duas décadas em regime de comodato ao lado do Museu de Arte Moderna, em São Paulo, em dezembro de 2018, a obra do acervo do Itaú começou uma série de itinerâncias pelo país. Primeiro, foi levada a Minas Gerais, para ser exibida na Galeria Mata do Inhotim. Na sequência, o plano de viagem de Spider em 2019 inclui o Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, e no Museu de Arte do Rio (MAR-RJ). A previsão é de que a escultura prossiga em sua viagem pelo país no ano seguinte.

Obra Spider, de Louise Bourgeois em exposição na Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre.
Escultura contracenando com a arquitetura de Alvaro Siza (fotos Divulgação)

No dia 18 de maio, a Fundação Iberê abriu suas portas para a Spider (Aranha). A obra realizada pela escultora francesa Louise Bourgeois (1911-2010), em 1996, foi vista no Brasil pela primeira vez na 23ª Bienal de São Paulo e adquirida para a Coleção Itaú Cultural. Em 1997, o instituto a cedeu em regime de comodato ao Museu de Arte Moderna – MAM/SP, no Parque Ibirapuera. Lá permaneceu até 2017, em um espaço de vidro de onde podia ser observada da marquise do parque. Na ocasião, a escultura foi enviada à Fundação Easton, em New York, para averiguação e restauro, de modo a garantir a sua longevidade e possibilitar a sua exibição em espaços diversos. Em dezembro passado, Spider botou o pé na estrada.

“Assim como fazemos com grande parte da Coleção Itaú Cultural, tomamos a decisão de circular uma das suas mais importantes obras internacionais e ampliar o acesso do público a esta grandiosa escultura”, diz o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron.

Spider reafirma a nossa parceria com a Coleção Itaú Cultural e o nosso compromisso de trazer a Porto Alegre o que há de mais instigante e inquieto na arte moderna no Brasil e no mundo”, arremata o superintendente da Fundação Iberê, Emilio Kalil.

A mostra
Feita de bronze, a Spider pesa mais de 700 quilos – 68kg, cada uma das oito patas; 113kg o corpo e 57kg a cabeça. O seu traslado, exige grande cuidado e dedicação. Com a inexistência do esboço e projeto original da escultura,a equipe do Itaú Cultural criou um aparato para garantir a sua estrutura na desmontagem e remontagem. A produção do instituto desenhou uma plataforma que é colocada debaixo dela para sustentá-la. As patas, cujas pontas são de agulha, são retiradas uma a uma enquanto uma espécie de berço se eleva da plataforma para segurar o corpo do pesado aracnídeo. Na remontagem, o caminho é o inverso.

As viagens da Spider pelo Brasil são acompanhadas de um texto do crítico de arte Paulo Herkenhoff e de um vídeo de pouco mais de cinco minutos, realizado pela equipe do Itaú Cultural, com relato da também crítica Verônica Stigger. Este material foi produzido especialmente para estas itinerâncias.

Entre imagens da escultura, Verônica discorre sobre a vida da artista que se entrelaça com esta sua criação. Ela reproduz de Herkenhoff que as aranhas de Louise Bourgeois representam a mãe da artista, sintetizada em dois adjetivos aparentemente paradoxais: frágil e forte. Diz Verônica: “A fragilidade e a força se conjugam nesta versão de Spider. À primeira vista, é uma peça imponente, até um tanto monstruosa: ela é toda em bronze, com três metros e meio de altura, oito longas patas e um núcleo central duro, todo torcido em espirais, que faz as vezes de cabeça e ventre — um grande ventre capaz de armazenar os ovos.” E conclui: “Em uma olhada mais atenta, percebe-se como, apesar da força e da rigidez do bronze, ela também é frágil, delicada: suas patas são longas e muito finas, dando a impressão de serem insuficientes para sustentar o pesado corpo da aranha.”

SERVIÇO
Spider (Aranha), de Louise Bourgeois, na Coleção Itaú Cultural | Fundação Iberê
Visitação: 
de 18 de maio a 28 de julho | De quarta a domingo | Das 14h às 19h
Entrada gratuita

A Fundação Iberê tem o patrocínio de IBMCMPC – Celulose Riograndense Grupo GPS, e apoioGrupo IESASTIHL DLL Group, com realização e financiamento do Ministério da Cidadania / Governo Federal. Serviços de tradução: Traduzca.

Endereço: Fundação Iberê Camargo – Avenida Padre Cacique, 2000

Visitação: De quarta a domingo, das 14h às 19h (último acesso às 18h30min)
A Fundação Iberê Camargo também atende a grupos agendados. Para fazer um agendamento, basta ligar para o Programa Educativo – 51 3247 8000

Café Iberê: De quarta a domingo, das 12h às 19h

Como chegar:
A Fundação Iberê dispõe de estacionamento pago, operado pela Safe Park.

As linhas regulares de lotação que vão até a Zona Sul de Porto Alegre param em frente ao prédio, assim como as linhas de ônibus Serraria 179 e Serraria 179.5. É possível tomá-las a partir do centro da cidade ou em frente ao shopping Praia de Belas. O retorno pode ser feito a partir do Barra Shopping Sul, por onde passam diversas linhas de ônibus com destino a outros pontos da cidade.

Pedestres e Ciclistas: existe uma passagem para que pedestres e ciclistas possam atravessar a via em segurança. A passarela é acessada pelo portão de entrada do estacionamento. A Fundação também dispõe de um bicicletário, localizado nos fundos do prédio.

Site: www.iberecamargo.org.br
Fanpage: www.facebook.com/fundacaoiberecamargo
Instagram: @ f_iberecamargo
Visita virtual Google Artes & Culture: https://goo.gl/wYr75v

Visões da Redenção traz um recorte de 77 obras de Iberê Camargo (66 desenhos, três gravuras e oito pinturas),produzidas no início dos anos 1980 – quando o artista retornou à Capital gaúcha, após um período de 40 anos vivendo no Rio de Janeiro. Frequentador assíduo do Parque da Redenção, Iberê gostava de observar o ir e vir das pessoas: anônimos, músicos, palhaços, ciclistas, moradores de rua e performers. De simples registros desses passeios, logo as anotações do artista ganharam um significado maior. Os “personagens” da Redenção foram convidados para aturem como modelos vivos em seu ateliê, e, muitos deles, desdobraram-se nas famosas séries Fantasmagoria, Ciclistas eEcológica (Agrotóxicos).

Sobre a Fundação Iberê Camargo

A Fundação Iberê é uma instituição privada sem fins lucrativos, criada em 1995, a partir de um desejo do próprio artista e sua esposa, Maria Coussirat Camargo, e com o apoio de amigos e empresários de Porto Alegre.

Há 22 anos, a Fundação desenvolve ações culturais e educativas com a missão de preservar o acervo, promover o estudo, a divulgação da obra de Iberê Camargo e estimular a interação de seu público com arte, cultura e educação, por meio de programas interdisciplinares. Seu acervo é formado por um núcleo documental, composto de documentos e imagens relacionadas à vida e à obra do artista, e um núcleo com a coleção Maria Coussirat Camargo, que inclui pinturas, gravuras, guaches, desenhos e estudos de Iberê Camargo, obras que o casal acumulou durante a vida.

Iberê Camargo

[Restinga Seca, 1914 – Porto Alegre, 1994] – Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de uma extensa obra, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos, mas exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual brasileiro. Dentre as diferentes facetas de sua vasta produção, o artista desenvolveu as conhecidas séries CarretéisCiclistas e As idiotas, que marcaram sua trajetória. Grande parte de sua produção, estimada em mais de sete mil obras, compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Escrito por
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