Coletiva Fiasco (frasco, em italiano) reúne quatro artistas na Arte&Fato

Exposição Coletiva Fiasco, galeria Arte&Fato, site eleoneprestes.com
1.eduardo miotto, motor IV, óleo sobre tela, 80 x 70 cm, 2015 (detalhe) 2.franscisco sanchez, blue rizla, óleo sobre tela, 80 x 80 cm, 2002 (detalhe) 3.ricardo frantz, iniciação, acrílica sobre tela 300 x 150 cm, 2012 (detalhe) 4.vladenir costa, eu sou um cara legal, óleo sobre tela, 157 x 157 cm, 2015 (detalhe)

Só uma proposta de arte poderia ter um nome inusitado como esse para uma exposição: Fiasco. A abertura da coletiva será no dia 26 de agosto, às 19h, na Galeria Arte&Fato, em Porto Alegre, na Avenida Protásio Alves, 1.893, com pinturas de Eduardo Miotto, Francisco Sanchez, Ricardo André Frantz e Vladenir Costa, sob a curadoria de Leo Felipe.

Exposição coletiva Fiasco, galeria Arte&Fato, site eleoneprestes.com
1.eduardo miotto, motor II, óleo sobre tela, 80 x 70 cm, 2016 (detalhe)
2.franscisco sanchez, quimono amarelo, óleo sobre tela, 90 x 90 cm, 2010 (detalhe)
3.ricardo frantz, olhos virtuais, acrílica sobre tela 300 x 145 cm, 2011 (detalhe)
4.vladenir costa, narciso, óleo sobre tela, 300 x 157 cm, 2015 (detalhe)

“O que estes quatro artistas nos mostram em suas pinturas é o mundo mediado de imagens da grande Era do Capital, com sua oferta inesgotável de produtos, de estilos de vida, de doces sonhos molhados e dos mais horrendos pesadelos”, conforme o curador.

Vamos às explicações: o título faz uma referência irônica às expectativas que envolvem o processo de apresentação pública de qualquer trabalho de arte, além de propor um gatilho para o pensamento curatorial sobre a instalação das obras. No caso, a anedota sobre um palhaço bolonhês do século XVII, suposta origem da palavra fiasco (que significa frasco, em italiano).

Reproduzo aqui o texto do curador, Leo Felipe, sobre esse interessante projeto:

Fiasco – o frasco de arlequim
O episódio teria ocorrido no ano de 1681 quando o ator italiano Domenico Biancolelli espatifou um frasco de vidro, fracasso que lhe rendeu fama que dura até nossos dias. Biancolelli ganhara notoriedade na Bolonha barroca no papel de Arlequim e se vangloriava da própria capacidade de improvisação, elemento típico da commedia dell’arte. Dizia-se à época que, a partir de qualquer objeto que estivesse em mãos, o ator era capaz de fazer rir a platéia. Até o dia em que o pagliaccio não conseguiu extrair efeito cômico algum de uma pequena garrafa. Contrariado, teria atirado o frasco, estilhaçando-o no chão, e proclamando: “Colpa tua, fiasco!”Verdadeira ou não, a anedota sobre a origem da palavra usada para definir o que poderíamos chamar de um êxito desfavorável suscita algumas ideias. Poderíamos pensar nas condições as quais o artista dispõe para criar e no aspecto essencialmente contingencial da criação, que por vezes pode passar até mesmo pela destruição para se realizar. Há também um possível comentário sobre a perversidade um tanto tragicômica existente na busca do sucesso. Sem esquecer o elemento crucial do conto, pequeno ponto que contém a densidade do humor que faz explodir o riso depois da piada (tal qual uma estrelinha): a reação de Biancolelli é, afinal, engraçada. O que nos leva a considerações sobre as intenções do artista e os métodos dos quais faz uso para atingir resultados que prevê – ou não.
Fiasco reúne a pintura de Eduardo Miotto, Francisco Sanchez, Ricardo André Frantz e Vladenir Costa. Dudu, Chico, Ricardo e Deco parecem ter consciência da posição periférica que ocupamos no que os acadêmicos chamariam do campo da arte, mas como muitos de nós eles também desejam ter êxito nele. Por isso a auto-ironia do título, ademais bastante pretensioso. O mundo mediado de imagens da grande Era do Capital, com sua oferta inesgotável de  produtos, de estilos de vida, de doces sonhos molhados e dos mais horrendos pesadelos, é o material    imagético reproduzido pelas mãos dos quatro artistas através das tintas na tela de algodão. Imagens de imagens cheias de culpa.

Serviço
O que – Exposição coletiva Fiasco
Onde – Arte&Fato Galeria, Avenida Protásio Alves, 1.893, (51) 3333 9044 e 99999 3392
Quando – Abertura sábado, 26 de agosto, às 19h. Visitação até 23 de setembro de 2017,
de segunda a sexta, das 12h às 17h
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