Madeira e rocha: melhores amigos

Cada vez mais complexas, as escolhas dos profissionais precisam partir de suas convicções. Isso porque é ampla a oferta de materiais pelo mercado e, consequentemente, de possibilidades de imprimir estilo aos ambientes por meio de revestimentos e volumes. Artistas e designers deixam que o material “fale”. Por que os arquitetos não desfrutariam dessa sintonia preciosa? No caso da arquiteta Lídia Maciel, a identidade do seu trabalho está conectada à força do uso de dois materiais naturais: rochas e madeiras.

–  Sou apaixonada por pedras naturais e elas caem muito bem em nossos projetos – ressalta Lídia, ao reconhecer que busca referências nas pedras e nas madeiras, muito bem-vindas em projetos de interiores, em especial nos executados no Rio Grande do Sul.

Fã de lareiras –  de preferência de dimensões generosas –  a arquiteta usa com elegância pedras do piso até a parede da região do equipamento, que acaba sendo um ponto focal do ambiente.

Lídia emprega monolitos para se contraporem a outros elementos de destaque do espaço e diz que “brinca” com acabamentos polidos e escovados:

– Eu gosto desses blocos porque dão mais força para os elementos.

Jogo de claro/escuro

Com medida de 4m30cm lineares de mármore romano bruto da Qualitá Sul, com acabamento escovado, a área da lareira a lenha recebeu nove chapas de mármore que precisaram ser içadas para garantirem o mínimo de emendas na superfície, conforme a arquiteta. Esse bloco claro une-se ao amplo sofá branco com detalhamento em capitonê e, juntos, fazem contraponto ao volume revestido por lâmina de madeira natural com poliéster.

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Madeira e pedra frente a frente (Fotos Claudio Fonseca, divulgação Lídia Maciel Arquitetura)

–  A casa é super iluminada, então optei por ter esse ponto mais escuro longe das janelas – conta Lídia, que ressalta ainda a presença determinante de um relevo assinado pelo escultor gaúcho Vasco Prado, com acabamento em pátina verde que levou a escolhas harmonizadas com a obra de arte.

Este apartamento conta com área de aproximadamente 400 metros quadrados e a proposta segue o estilo da moradora, uma profissional liberal identificada com um projeto de interiores “mais clássico”, segundo a arquiteta gaúcha que este ano participou de duas Casa Cor simultâneas – em São Paulo e Porto Alegre –, ambas marcadas pelo uso de obras de arte. Portanto, a presença de uma escultura de porte foi natural para a profissional e a sua tonalidade ecoou pelo espaço, contribuindo para a personalização.

Cosmopolita em meios tons

De acabamento jateado, o mármore Itamaraty, também da Qualitá Sul, cobre o volume com área total de 4m50cm por 1m de profundidade que contém a lareira de etanol na face voltada para o estar. Essa parede praticamente se mimetiza com o tapete no ambiente social em bege, cinza e azul. A paleta de cores vem de revestimentos, estofados e acessórios.

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Descontração com elegância (Fotos André Cavalheiro, divulgação Lídia Maciel Arquitetura)

Na composição, a lâmina de madeira opaca fosca faz o contraponto ao tom do mármore da lareira. Plantas entram no projeto de estilo “jovem cosmopolita” na definição da autora, incumbida de criar o hábitat de uma médica no apartamento de 240 metros quadrados de área, ambos na Capital.

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